Toda civilização, como todo ser vivo, nasce, amadurece, declina e morre. Essa é a lei dos ciclos que Spengler identificou na história e que as doutrinas tradicionais chamaram de sucessão das idades. O Ocidente vive o fim do seu ciclo, o crepúsculo de sua alma faústica. As cidades perderam o centro, as igrejas tornaram-se museus e as antigas aldeias foram substituídas por desertos de concreto. Já não há o elo entre o sagrado e o cotidiano, entre a forma e o sentido. A Europa moderna é uma sombra que esqueceu o nome da luz.
Guénon chamou este tempo de Kali Yuga, a Idade Escura. É a fase em que o mundo se afasta do princípio e o homem esquece a origem. O que antes era hierarquia torna-se massa, o que era símbolo vira mercadoria. E no vazio deixado pela fé e pela tradição, novas forças emergem. O islamismo, firme em sua crença e em sua estrutura, expande-se sobre um continente que perdeu sua alma. Onde o cristianismo e o paganismo haviam um dia se fundido, há agora um corpo sem espírito, um continente que conserva formas mas perdeu o conteúdo.
O paganismo desapareceu quando se esgotou o vínculo direto entre o homem e a terra. O cristianismo começou a declinar quando se esvaziou de sentido interior e deixou de ser um caminho para o transcendente. O islamismo cresce hoje não apenas pela força da fé, mas pelo vácuo deixado por essa ruptura. É uma força que se impõe, não uma síntese que se realiza. Ao contrário do que ocorreu quando o Cristo encontrou o solo pagão, não há fusão, mas substituição. O islã não dialoga, ocupa; não transforma, cobre. Sua rigidez e seu monolitismo encontram terreno fértil onde antes havia vitalidade e espírito, e agora há apenas cansaço e descrença.
Para Evola, o homem diferenciado é aquele que, mesmo no meio da ruína, conserva em si o eixo vertical do ser. Ele é o portador do fogo que não se apaga, o guardião da forma espiritual quando o mundo se dissolve. É nesse ponto que o destino europeu ainda pode reencontrar o sentido. O retorno da Europa tradicional não será político nem econômico, mas espiritual. Não nascerá de reformas nem de movimentos, mas da reorientação interior de alguns que ainda recordam o símbolo e o rito.
O ciclo não termina com o caos, mas prepara o renascimento. O inverno precede a primavera. E assim como o cristianismo absorveu o paganismo e o elevou à luz, uma nova síntese poderá surgir no futuro, quando a Europa recuperar o senso do sagrado que perdeu. Talvez não como repetição do passado, mas como redescoberta de um princípio eterno que nunca se extingue, apenas adormece.
A restauração da Ordem não virá do poder temporal, mas da reintegração do espírito. O homem que reencontrar o centro dentro de si será o mesmo que o restituirá fora de si. O verdadeiro renascimento não é retorno ao ontem, mas ascensão ao eterno. Quando o europeu compreender que sua missão não é apenas preservar ruínas, mas reanimar o espírito que lhes deu forma, então o ciclo da noite se encerrará e o dia voltará a nascer.
A Europa, filha do sol Invictus e da cruz, só renascerá quando redescobrir sua essência. E enquanto o fogo do sagrado ainda arder em um só homem, essa busca ainda não estará perdida.