sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Mario Góngora, Reflexões sobre Tradição e Tradicionalismo na História do Chile


Por Mario Góngora

“O tradicionalismo não é meramente a perpetuação vegetativa das tradições, nem sua mera veneração (esta última tão característica do Romantismo alemão); o tradicionalismo pressupõe ter atravessado a crise revolucionária, ter detectado completamente esse fenômeno e sua profundidade abissal, para poder agir contra ele.

O tradicionalismo europeu emergiu no ano seguinte à revolta francesa… O período tradicionalista-contrarrevolucionário de Donoso Cortés sucedeu imediatamente os movimentos de 1848. A Revolução Russa provocou uma convulsão semelhante: lembremos de ‘Uma Nova Idade Média’, de Berdiaev, ou da caracterização do comunismo por Pio XI como ‘intrinsecamente perverso’.

A Action Française, o fascismo italiano, as diversas ligas e grupos austríacos da era Seipel-Dollfuss-Schussnigg, o ‘Estado Nuovo’ de Oliveira Salazar; o nacional-socialismo, o falangismo de Primo de Rivera, são tantas outras formas nacionais nascidas durante e contra a revolução do século XX (...) O Cristeros e Sinarquistas no México; os Integralistas no Brasil; os numerosos grupos intelectuais nacionalistas argentinos e o Peronismo inicial.

Os slogans contrarrevolucionários são os mesmos em todos os lugares: Hispanismo (o período colonial, venerado como no Tradicionalismo e Romantismo europeus, a Idade Média); Corporativismo, como uma estrutura social distinta do Capitalismo e do Socialismo; finalmente, em cada país, figuras simbólicas de heróis nacionais capazes de inspirar o novo Nacionalismo.