Ao observar as principais figuras do Nacional-Bolchevismo, quase todas elas, historicamente, foram hostis ao Cristianismo e chegaram inclusive a apoiar um renascimento pagão.
Isso pode chocar alguns que ainda mantêm a visão de que se trata simplesmente de uma ideologia que combina conservadorismo, nacionalismo e socialismo marxista — embora nada pudesse estar mais distante da verdade.
Como afirmei anteriormente, o objetivo da ideologia sempre foi criar uma nova sociedade, não “retornar à tradição”. Trata-se de uma ideologia de sangue e solo que busca não apenas derrubar o capitalismo, mas também eliminar todos os elementos da sociedade que impedem a nação e seu povo de alcançarem seu pleno potencial — o Cristianismo estando entre eles, segundo Paetel e Niekisch.
Há uma enorme quantidade de material sobre esse tema, portanto dividirei o artigo em duas partes. A primeira se concentrará em Karl Otto Paetel e a segunda em Ernst Niekisch, indiscutivelmente as duas figuras mais importantes por trás da ideologia nacional-bolchevique.
KARL OTTO PAETEL SOBRE O CRISTIANISMO
“E a fé sempre pode e apenas pode ser superada por uma nova fé, nunca pela negação, nunca pelo ceticismo. A Roma Eterna somente desaparecerá das terras alemãs quando a fé na Alemanha Eterna a substituir.
Roma, e com ela todo o Cristianismo Ocidental, pode, com a maior tranquilidade, encarar o pseudoiluminismo banal dos círculos livre-pensadores, as invectivas de mau gosto dirigidas ao sacerdócio.
Contudo, em meio a toda a inquietação e agitação de hoje, Roma já se vê confrontada com os primórdios de uma nova fé, com a aproximação de um renascimento alemão.”
“Aqui, onde se delineia o contorno de um novo paganismo, uma nova religiosidade cósmica centrada no sangue, no solo e na raça, enraizada no sopro divino da vida terrena — aqui recaem os primeiros golpes de machado sobre o edifício da fé oriental que paira sobre o povo.
E se o nacionalismo alemão possui um profundo sentido espiritual e religioso, então é esse (como Rosenberg reconheceu, mas depois renegou sob a pressão de seu mestre católico) de uma insurreição do modo de vida germânico, envenenado e reprimido desde os dias de Carlos Magno, o matador de saxões, contra a infiltração estrangeira do Cristianismo. O novo paganismo, o renascimento de uma fé alemã, será a justificação viva e a fonte de poder da revolução alemã.”
“Essa revolução alemã é, portanto, em si mesma, uma grande totalidade, abrangendo a vida inteira e afirmando-se em cada aspecto dela; em sua justificativa, não é apenas, no plano religioso, uma luta contra uma Igreja sem paixão, corrompida e distorcida, mas também uma luta intransigente contra a própria substância essencial do Cristianismo, que em seu núcleo é estranha e desastrosa à natureza alemã.”
“Ai deles se, sendo hóspedes de ambos os Reinos, errantes entre os dois mundos, buscarem frivolamente infringir as fronteiras entre eles; se quiserem substituir os valores políticos suprapessoais da ‘liberdade’ comunitária e da ‘vontade de poder’ por sermões cristãos sobre o Sermão da Montanha; se adulterarem o slogan ‘Tudo pela Alemanha’ com o acréscimo ‘Alemanha para Cristo’.”
Paetel não se opõe apenas à Igreja, mas ao próprio conceito e aos ensinamentos do Cristianismo. Ele cita Rosenberg e Ludendorff, ambos extremamente hostis ao Cristianismo.
Além disso, ele defende um renascimento pagão, o surgimento de uma nova fé para substituir a antiga. O capítulo aprofunda ainda mais esse ponto, e como esta publicação trata exclusivamente da posição em relação ao Cristianismo, a questão do Paganismo e sua conexão com a ideologia nacional-bolchevique será discutida em outro momento, juntamente com o papel da religião na sociedade.
Dito isso, o sincretismo de ideias é possível, e a religião permanece secundária à ideologia — o próprio Paetel compreendia isso.
No entanto, isso não nega o fato de que o Nacional-Bolchevismo genuíno, em seu núcleo, é inconciliável com os ensinamentos e a cosmovisão do Cristianismo.