Este texto parte do princípio de que nada do que vivemos no campo social e cultural ocorreu por acaso. A crise da família não é um acidente histórico, mas o resultado de um projeto deliberado que visa desarticular os vínculos mais profundos que sustentam os povos. Ao identificar os verdadeiros agentes e a lógica por trás desse processo, busca-se expor por que a família tradicional permanece como o principal obstáculo ao liberalismo cultural e, justamente por isso, tornou-se seu alvo prioritário.
A dissolução da família tradicional não foi um erro de percurso nem um fenômeno espontâneo da modernidade. Foi um projeto político, econômico e cultural, conduzido com método, financiamento e narrativa.
Os responsáveis têm nome. Aquilo que a direita simplória insiste em chamar de “marxismo cultural” é, na realidade, liberalismo cultural. Foi por meio do liberalismo cultural, também chamado de progressismo social, que se iniciou a engenharia social voltada à dissolução das famílias e à subversão da consciência coletiva dos povos. Esse processo foi e continua sendo promovido por ONGs internacionais, fundos multilaterais, grandes conglomerados midiáticos e universidades ideologizadas, todos operando sob a mesma lógica: substituir vínculos orgânicos, duradouros e naturais por relações frágeis, temporárias e facilmente administráveis.
A família tradicional, baseada em compromisso, responsabilidade intergeracional, hierarquia funcional e dever mútuo, sempre foi um obstáculo a esse projeto. Um núcleo assim forma pessoas com identidade, senso de pertencimento e capacidade de resistência moral. Pessoas estruturadas dessa forma não se submetem facilmente a modas ideológicas, não dependem de narrativas artificiais e não se tornam escravas nem do mercado nem do Estado.
Por isso foi necessário atacá-la.
O liberalismo moderno, ao reduzir o ser humano a um indivíduo isolado, consumidor e supostamente “autônomo”, passou a tratar a família como um entrave à liberdade absoluta. Em seu lugar, promoveu-se a chamada família nuclear liberal alternativa, um modelo instável, contratual, descartável, moldado ao prazer imediato e perfeitamente alinhado à lógica do mercado.
Esse modelo não fortalece pessoas, ele as fragiliza. Indivíduos sem raízes emocionais sólidas tornam-se mais ansiosos, mais inseguros, mais dependentes e mais manipuláveis. Passam a necessitar de tutores externos, quase sempre ligados ao Estado, sob a forma de agentes “especialistas”, psicologização permanente da vida cotidiana, subsídios, aplicativos, diagnósticos e validação institucional constante.
A mídia cumpre seu papel ao normalizar a degeneração do espírito e apresentar a desestruturação como virtude. O sistema educacional reforça esse processo ao desconstruir referências morais e substituir a tradição por narrativas relativistas e artificiais. As grandes corporações, por sua vez, lucram enormemente com consumidores solitários, emocionalmente carentes e permanentemente insatisfeitos.
Nada disso é coincidência.
Uma sociedade sem famílias fortes é uma sociedade mais fácil de governar, tributar e controlar. Quando a figura paterna é enfraquecida, quando a maternidade é tratada como fardo, quando o compromisso é ridicularizado e a autoridade moral é demonizada, o vazio deixado é ocupado por burocratas, tecnocratas e “especialistas”. Eles assumem o papel que antes cabia aos pais, moldando gerações inteiras e formando o imaginário coletivo conforme as necessidades do sistema liberal, tratando indivíduos como gado funcional da engrenagem.
Famílias unidas formam homens e mulheres fortes. Homens e mulheres fortes formam comunidades coesas. Comunidades coesas não dependem de tutores ideológicos para pensar, decidir ou sobreviver.
Por isso a família sempre foi o primeiro alvo. E por isso defendê-la hoje não é conservadorismo no sentido raso do termo, mas a mais pura forma de resistência política, cultural e civilizacional.