sábado, 20 de setembro de 2025
20 DE SETEMBRO: O PERCURSOR DA LIBERDADE GAÚCHA
A CONSTITUIÇÃO RIO-GRANDENSE E A QUESTÃO DA ABOLIÇÃO
domingo, 14 de setembro de 2025
O HINO RIO-GRANSENSE E O SENTIDO LIBERTÁRIO DE SUA ESTROFE
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
A FARSA DA "TRAIÇÃO DE PORONGOS": ENTRE A CARTA APÓCRIFA E A NARRATIVA IMPERIAL
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
O POVO – A Voz Escrita da República Rio-Grandense
11 de Setembro de 1836 – A Proclamação da República Rio-Grandense
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
10 de Setembro de 1836 – A Batalha do Seival
Neste dia 10 de setembro, a memória gaúcha se ergue altiva. Foi nesta data, em 1836, que os campos do Seival testemunharam uma das maiores vitórias do povo rio-grandense, quando a coragem de homens simples derrotou a força organizada do Império.
O 10 de setembro não é apenas uma data. É o dia em que os gaúchos enfrentaram o império tirano brasileiro, os caramurus invasores de nossas terras rio-grandenses, e escreveram uma das páginas mais gloriosas da Revolução Farroupilha.
Tudo começou na tensa manhã de 10 de setembro de 1836, nos campos dos Menezes, às margens do Rio Jaguarão, na região onde hoje se encontra o município de Candiota. O Coronel Antônio de Souza Netto — futuro General — comandava cerca de 430 cavalarianos farroupilhas, uma tropa composta por agricultores, ex-escravos, artesãos, gaúchos peões de estância e dezenas de soldados. Eram pouco mais de 400 homens, a maioria mal armada, portando lanças, facões e adagas, quase nenhum tinha treinamento militar além dos comandantes militares que lideravam as tropas.
Do outro lado, estava o exército imperial, liderado por João da Silva Tavares. Eram mais de 560 soldados, bem treinados, armados com carabinas e espadas, e com a vantagem do terreno — posicionados no alto de uma coxilha. Os imperiais confiavam que esmagariam facilmente aquela tropa popular.
Por volta das nove horas da manhã, o silêncio da roda de mate foi interrompido: os tiros das carabinas imperiais anunciaram o início da peleia. Os cavaleiros farroupilhas, mesmo em menor número, partiram a galope contra a cavalaria inimiga. O encontro fez o metal das espadas ecoar pelos campos pampeanos, e a luta se espalhou em poeira, sangue e gritos de guerra.
O inesperado, porém, virou o rumo da batalha. Uma lança farroupilha cortou o freio do cavalo do comandante Silva Tavares, que disparou desgovernado. A cena mergulhou os imperiais no caos: alguns tentaram socorrê-lo, outros pensaram que havia batido em retirada, e os que permaneceram não tinham ordem alguma. Foi nesse instante que Netto encontrou sua chance: lançou seu ataque, inflamando seus homens a lutar como leões.
O resultado foi devastador. Mesmo contra todas as adversidades — terreno desfavorável, tropa menor, pouco armamento e falta de treinamento — os farroupilhas esmagaram o inimigo. Mais de 200 soldados imperiais foram aprisionados, 180 mortos, inúmeros feridos e desgarrados fugindo desordenados pelo mato. Dos mais de 600 que iniciaram a batalha, menos de 50 escaparam com o comandante. Do lado farroupilha, apenas 7 homens tombaram.
Quando Silva Tavares conseguiu voltar ao campo, a peleia já estava perdida. O exército imperial havia sido destroçado.
A vitória do Seival tornou-se símbolo de coragem e liberdade. Foi a prova de que um punhado de homens simples, movidos pelo ideal de independência, podia derrotar o poder organizado do Império.
E na aurora seguinte, em 11 de setembro de 1836, embalado por essa conquista, Antônio de Souza Netto proclamou aos quatro cantos a República Rio-Grandense. A partir dali, este Rio Grande de Sepé Tiaraju de uma mera província passou a ser um país independente com bandeira, hino, constituição e lutou de igual para igual contra um país o dobro do seu tamanho.
O Seival foi mais que uma batalha: foi o grito de um povo que não se rendeu aos desmandos de um império ignomioso e omisso aos interesses rio-gransenses.