quinta-feira, 11 de setembro de 2025

11 de Setembro de 1836 – A Proclamação da República Rio-Grandense

Depois da vitória esmagadora dos farroupilhas na Batalha do Seival, o Rio Grande daria um passo ainda maior rumo à liberdade. Na manhã de 11 de setembro de 1836, o Coronel Antônio de Souza Netto, promovido a General, proclamou nos campos dos Menezes a República Rio-Grandense. A partir desse dia, os farrapos deixaram de ser meros rebeldes: a Revolução Farroupilha transformou-se em uma guerra entre dois povos soberanos.

Nos dias que antecederam a proclamação da república, a chama da liberdade já se espalhava pelos pagos. Porto Alegre havia sido tomada, e no 21 de setembro de 1835, Bento Gonçalves da Silva adentrava altivo as ruas empoeiradas da Capital, já abandonada pelo presidente imperial Antônio Rodrigues Fernandes Braga. Era a prova viva de que os ideais libertários estavam em marcha, alimentados pelo vento das independências que já agitava a América.

Entre os dias 9 a 11 de setembro, ecoaram os clarins da batalha decisiva do Seival. Sob a liderança brilhante de Netto, os revolucionários impuseram fragorosa derrota às forças imperiais comandadas por João da Silva Tavares. Aquela vitória não foi apenas um triunfo militar, mas o sopro de coragem que permitiu sonhar mais alto: a fundação de uma República livre, soberana e humanitária.

A República foi proclamada após a vitória farroupilha na Batalha do Seival, quando Antônio de Sousa Neto, em nome dos revolucionários, declarou a independência da província em relação ao Império. Estava em jogo a resistência contra um sistema centralizador, que cobrava altos impostos, negligenciava as necessidades regionais e pouco reconhecia as especificidades econômicas e sociais da então Província de São Pedro. Nesse contexto, a República Rio-Grandense se constituiu como um projeto de Estado próprio, com Constituição, símbolos nacionais, autoridades eleitas e até relações diplomáticas internacionais.

Portanto o dia 11 de setembro de 1836 marca o nascimento de uma nova nação: a República Rio-Grandense. Após a estrondosa vitória dos farrapos na Batalha do Seival, após a vitória na batalha, o Coronel Antônio de Souza Netto — promovido a General pelo feito heróico — reuniu sua tropa nos campos dos Menezes, atual município de Candiota, e proclamou a independência da Província de São Pedro em relação ao Império do Brasil.

Foi naquele acampamento militar, ainda tomado pelo fervor da vitória, que a ordem do dia foi lida pelo Coronel Joaquim Pedro Soares, em palavras que ecoaram como um brado de liberdade:

“Bravos companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria!
Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da Corte do Rio de Janeiro [...]
Em todos os ângulos da província não soa outro eco que o de independência, república, liberdade ou morte.
Camaradas! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um estado livre e independente, com o título de República Rio-grandense.”

As palavras inflamaram os ânimos dos combatentes. Então, tomando a frente, o recém-aclamado General Antônio de Souza Netto bradou:

Camaradas! Gritemos pela primeira vez: viva a República Rio-grandense! Viva a independência! Viva o exército republicano rio-grandense!”

Não foi apenas a proclamação de um Estado, foi o primeiro grito republicano e abolicionista da América Portuguesa, muito antes do Brasil oficial ousar falar em abolição ou república. Foi o brado do povo rio-gransense que jamais aceitou a submissão e que, desde então, carrega no peito a chama da independência própria. Assim, entre lanças erguidas, chapéus levantados e vozes que ecoaram pelos campos do Seival, nascia oficialmente a República Rio-Grandense. E desde esse dia, as tropas rio-grandenses deixaram de ser vistos como meros rebeldes. A Revolução Farroupilha deixou de ser apenas uma revolta civil e passou a configurar-se como uma guerra entre dois países soberanos, o Império do Brasil e a República Rio-Grandense.

Apesar das dificuldades militares e políticas, a experiência republicana deixou um legado profundo. Primeiro, mostrou que era possível imaginar e lutar por um projeto político alternativo ao modelo imperial. Segundo, consolidou a imagem do gaúcho como sujeito histórico — trabalhador do campo, soldado e cidadão — que se coloca como guardião da liberdade e da justiça. Além disso, ao trazer para o debate a questão do federalismo, da soberania regional e da centralidade do trabalho, a República Rio-Grandense antecipou discussões que marcariam a vida política brasileira ao longo do século XX. Não foi apenas um ato político, mas um grito de dignidade, justiça e liberdade contra a tirania de um império opressor. Uma República proclamada com sangue e coragem, que jamais foi desfeita na memória e no coração do povo rio-gransense.

O fim da guerra, em 1845, com a assinatura do Tratado do Poncho Verde, não apagou a memória do ideal republicano. Ao contrário, a República Rio-Grandense se transformou em símbolo de resistência, orgulho e identidade do povo sul-rio-grandense. Hoje, sua lembrança inspira movimentos políticos, culturais e sociais que veem nela a afirmação de valores como soberania nacional, defesa da produção local, justiça social e protagonismo popular.

Neste 11 de setembro, ao recordar os heróis farrapos, reafirmamos que a verdadeira Semana da Pátria da sociedade rio-grandense se inicia hoje, e segue até o 20 de setembro. Não celebramos efemérides impostas pelo Império ou pela república brasileira. Celebramos as nossas datas que brotaram da luta, do sangue e do sonho da nossa própria gente.