quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O RETORNO DA BANDEIRA RIO-GRANDENSE SOB JÚLIO DE CASTILHOS

Com o advento da República no Brasil, em 1889, o Rio Grande do Sul reencontrou sua antiga insígnia de luta e liberdade. Foi durante o governo de Júlio de Castilhos, então presidente do Estado do Rio Grande do Sul — título que sucedeu a antiga designação de “província de São Pedro”, que a bandeira rio-grandense foi oficialmente restabelecida como símbolo estadual. O ato foi formalizado por meio do Decreto nº 5, de 6 de julho de 1891, que determinou o retorno da bandeira Rio-grandense, agora acrescida o atual brasão de armas, adaptado aos novos tempos republicanos.

Esse brasão, inserido ao centro da bandeira, conserva traços diretos do escudo da antiga República Rio-Grandense de 1836. Nele figuram o escudo oval ladeado por lanças e bandeiras, encimado pelo barrete frígio maçônico — símbolo universal da liberdade — e pela legenda “República Rio-Grandense”, acompanhada da data 20 de setembro de 1835, referência ao início da evolta dos farrapos . Assim, o símbolo que nasceu em Piratini como estandarte de resistência foi transformado, por Castilhos, em emblema oficial do Estado dentro da República Federativa do Brasil.

Segundo o historiador Mário Maestri, a restauração da bandeira farroupilha sob Castilhos marcou o resgate simbólico do passado revolucionário pelo novo regime republicano, que buscava no legado dos farrapos a legitimidade de sua própria fundação (A Revolução Farroupilha, 2013). Já Sandra Jatahy Pesavento observa que a inserção do brasão no pavilhão tricolor representou a reconciliação entre a memória da revolta e o projeto político positivista castilhista, que via no legado dos farrapo a base moral da república rio-grandense (História do Rio Grande do Sul, 1994).

Júlio de Castilhos, influenciado pelo positivismo de Auguste Comte e também pela maçonaria carbonário como os farrapos, via nos símbolos cívicos instrumentos de educação moral e política. O retorno da bandeira e a adoção do brasão refletiam esse ideal: a transformação da memória em civismo, da revolução em ordem. Como observa Tau Golin, “Castilhos incorporou o passado dos farrapos não como nostalgia, mas como fundamento histórico da república moderna que ele pretendia construir” (A Revolução Farroupilha: História e Interpretação, 2001).

Ao sancionar o decreto de 1891, Castilhos deu à bandeira rio-grandense um novo significado. Deixava de ser o estandarte de uma república insurgente para tornar-se o símbolo de um Estado federado, orgulhoso de sua história e consciente de sua singularidade dentro da federação brasileira.

Hoje, ao tremular nas praças e prédios públicos, o pavilhão tricolor carrega em si a memória da resistência dos farrapos e o gesto político de Júlio de Castilhos, que soube unir o passado e o futuro em um só símbolo. A bandeira Rio-grandense é, portanto, o testemunho vivo de uma herança que transcende o tempo, representando o ideal e o espírito republicano que moldou a identidade gaúcha Rio-grandense.